O reggae dos Rolling Stones

“Cherry Oh Baby” foi lançada em 1976 no álbum Black and Blue, marcando um raro retorno do grupo ao mundo dos covers (algo que eles praticamente abandonaram depois dos anos 1960).

A composição é de Eric Donaldson, e data de 1971. A versão dos Stones foi gravada em 1973, nas sessões do álbum Goats Head Soup, na Jamaica.

Ao longo da produção de Black and Blue, a banda pôde fazer o primeiro registro sonoro com o novo guitarrista, Ron Wood, na faixa “Hey Negrita”. Em outros takes, as seis cordas eram revezadas entre os integrantes.

Ouça a versão original de “Cherry Oh Baby”, com Eric Donaldson:

Charlie Watts certa vez declarou:

A influência do Reggae nas músicas de Black And Blue vieram principalmente de Keith (…) Mick certamente estava focado no reggae. Eu tinha todas as gravações (de reggae) comigo quando nos mudamos para a França e quando estávamos gravando faixas para o Exile On Main Street, na casa de Keith. Eu tocaria “Cherry Oh Baby” para ele ou ele a tocaria para mim. The Harder They Come foi um álbum que Keith ouvia muito.

É verdade que a versão dos Stones é meio quadradona, mas vale pela curiosidade. A faixa ainda contou com Mr. Billy Preston nos teclados.

Bônus: Uma raríssima gravação ao vivo da canção, captada em 1976 na França:

A primeira vez do Pearl Jam na Europa

No dia 3 de fevereiro de 1992, o Pearl Jam se apresentou pela primeira vez no continente europeu. Na ocasião, a banda promovia seu álbum de estreia, Ten, lançado em agosto de 1991. E apesar da péssima ou quase inexistente divulgação do show, o grupo conseguiu reunir 300 pessoas no The Esplanade Club, em Southend, Inglaterra.

Entre os vários momentos de interação protagonizados pelo vocalista Eddie Vedder e a plateia, destaque para o pedido de “‘Hunger Strike” (educadamente respondido com a frase “Mr. Cornell, are you here? If Chris is here, we’ll play it”) e a quase versão de “Outshined”, do Soundgarden.

No dia seguinte, a banda fez outra estreia, desta vez na televisão europeia, pelo The Late Show, da BBC2 . A turnê continuaria por outros países do velho mundo, como Noruega, Suécia, Holanda, França, Espanha e Itália.

Mas vamos ao que interessa, a primeira vez do Pearl Jam na Europa. Play!

Setlist
1 Wash – 04:17
2 Once – 03:25
3 -banter- – 01:55
4 Even Flow – 05:21
5 State Of Love And Trust – 04:07
6 Alive – 05:42
7 Black – 05:41
8 Why Go – 03:24
9 Jeremy – 05:01
10 Outshined – 00:40
11 Leash – 02:40
12 Jam – 02:47
13 Porch – 06:16
14 -chant- – 01:41
15 Release – 05:08
16 Breath – 06:12

O primeiro show dos Beatles nos EUA

No dia 7 de fevereiro de 1964, os Beatles desembarcavam pela primeira vez nos Estados Unidos. John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr foram recebidos por mais de 7 mil fãs (em sua maioria garotas histéricas) no aeroporto JFK, em Nova Iorque.

Dois dias depois, o quarteto de Liverpool protagonizou um dos grandes momentos da história televisiva do país, se apresentando para mais de 73 milhões de espectadores no palco do Ed Sullivan Show.

Por conta das baixas temperaturas e o grande volume de neve nas ruas e aeroportos, a viagem entre Nova Iorque e o local do primeiro concerto do grupo precisou ser feita de trem, gerando outra mobilização dos fãs na estação ferroviária de Washington.

O aguardado primeiro show dos Beatles nos EUA teve início às 20h30 do dia 11 de fevereiro de 1964 no Coliseu de Washington, com 12 músicas no set: “Roll Over Beethoven”, “From Me To You”, “I Saw Her Standing There”, “This Boy”, “All My Loving”, “I Wanna Be Your Man”, “Please Please Me”, “Till There Was You”, “She Loves You”, “I Want To Hold Your Hand”, “Twist And Shout” e “Long Tall Sally”.

Infelizmente, a gritaria descontrolada das beatlemaníacas fez com que muitas pessoas não escutassem absolutamente nada do palco. O barulho era tanto que os mais de 350 policiais que faziam a segurança dos músicos foram obrigados a se proteger com tampões de ouvido.

Ringo Starr precisou interromper o show três vezes para reposicionar os microfones de sua bateria. Um verdadeiro caos. Situação parecida com a do dia seguinte, quando os besouros de Liverpool se apresentaram no Carnegie Hall de Nova Iorque, marcando o primeiro concerto de rock em um estádio de beisebol do país e encerrando sua primeira turnê pelo continente norte-americano.

Abaixo, vocês assistem à integra do primeiríssimo show dos Beatles nos Estados Unidos. Enjoy.

[Capas de Discos] Mad Season – Above

À direita, a capa do primeiro e único álbum do supergrupo Mad Season, Above, lançado em março de 1995.

A ilustração, assinada pelo vocalista Layne Staley, foi inspirada em uma fotografia do próprio Staley, com sua namorada Demri Parrott (à esquerda), morta em outubro de 1996, aos 27 anos, por endocardite bacteriana (em decorrência de uma overdose de heroína). Layne Staley faleceria em abril de 2002 por overdose de speedball.

O último show dos Ramones na América do Sul

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No dia 16 de março de 1996, os Ramones fizeram aquele que seria último o show do grupo na América do Sul. Após 22 anos de estrada e várias mudanças na formação, Joey, Johnny, Marky e CJ levaram a turnê ¡Adios Amigos! para quarenta e cinco mil pessoas no estádio do River Plate, em Buenos Aires (com Iggy Pop, Die Toten Hosen, Dos Minutos e Attaque 77 como bandas de abertura). No setlist, uma verdadeira viagem pela trajetória do quarteto ao longo de 34 faixas (com exceção de Halfway to Sanity, todos os álbuns foram revisitados, com destaque para Rocket to Russia).

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Abaixo, vocês assistem ao show completo, com transmissão da TV argentina.

Setlist
01. Durango 95
02. Teenage Lobotomy
03. Psycho Therapy
04. Blitzkrieg Bop
05. Do You Remember Rock ‘N’ Roll Radio?
06. I Believe In Miracles
07. Gimme Gimme Shock Treatment
08. Rock ‘N’ Roll High School
09. I Wanna Be Sedated
10. Spiderman
11. The KKK Took My Baby Away
12. I Don’t Want To Grow Up
13. I Just Want To Have Something To Do
14. Sheena Is A Punk Rocker
15. Rockaway Beach
16. Pet Sematary
17. Strength To Endure
18. Cretin Family
19. Do You Wanna Dance?
20. Somebody Put Something In My Drink
21. Surfin’ Bird
22. Wart Hog
23. Cretin Hop
24. R.A.M.O.N.E.S.
25. Today Your Love, Tomorrow The World
26. Pinhead
27. The Crusher
28. Poison Heart
29. We’re A Happy Family
30. My Back Pages
31. 53rd & 3rd
32. Beat On The Brat
33. Chinese Rock
34. Have You Ever Seen The Rain

Observação fundamental: Inicialmente, o show em questão seria o último da carreira dos Ramones, que mudaram os planos aos quarenta e cinco do segundo tempo, esticando a turnê pelos EUA até 6 de agosto do mesmo ano, encerrando de vez as atividades no Palace, em Hollywood, com diversos convidados especiais (Eddie Vedder, Lemmy Kilmister, Tim Armstrong e Lars Frederiksen [Rancid], Chris Cornell e Dee Dee Ramone).

Pink Floyd – Live In Venice (15/07/1989)

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No dia 15 de julho de 1989, o Pink Floyd fez um dos shows mais controversos de sua história, na Praça de São Marcos, em Veneza, Itália. Mesmo com a forte onda de protestos contra a realização do concerto (gratuito e aberto ao público), mais de 200.000 pessoas assistiram à apresentação, que só aconteceu depois de um acordo entre os moradores da região e a produção da banda (o volume do som foi reduzido para não danificar os monumentos históricos locais).

Apesar dos esforços da equipe de David Gilmour, Nick Mason e Richard Wright, o estrago não pôde ser evitado e mais de 300 toneladas de lixo foram deixadas para trás, gerando um verdadeiro caos que resultou na demissão do vereador responsável pela Comissão Cultural de Veneza e a mobilização das forças armadas para a restauração e limpeza da cidade.

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Musicalmente falando, o show foi um grande sucesso, acompanhado por mais de 100 milhões de telespectadores em 23 países diferentes. Mas a cidade de Veneza nunca mais permitiria outro evento de tamanha magnitude em suas ruas.

Abaixo, o áudio completo desse show que podemos chamar de único na carreira do Pink Floyd.

Setlist
01 Shine on you crazy Diamond
02 Learning to fly
03 Yet another Movie
04 Round and Around
05 Sorrow
06 The Dogs of War
07 On the turning Away
08 Time
09 The great Gig in the Sky
10 Wish you were here
11 Money
12 Another Brick in the Wall
13 Comfortably Numb
14 Run like Hell

Uma pequena história sobre “Like a Rolling Stone”, de Bob Dylan

Degenerando

Entre os dias 15 e 16 de junho de 1965, Bob Dylan gravou aquele que talvez seja o seu maior clássico: “Like a Rolling Stone”.

Enquanto a compra de Hi Lo Fi estava sendo efetuada, Bob trabalhava em Nova York na música que talvez seja sua canção mais famosa, “Like a Rolling Stone”. A palavra que usava com maior frequência quando falava da música era “vômito”. O extravasamento de desdém fora como um “vômito”, disse ele, criado como um texto no estilo de Kerouac, “que tinha uma estrutura muito ‘vomitífica’”. Ele também a descreveu, em seu modo obscuro, como “… uma coisa rítmica no papel totalmente sobre meu ódio constante direcionado a alguma coisa que era honesta. No final das contas não era ódio, era dizer a a alguém alguma coisa que eles não sabiam, dizer a eles que tinham sorte. Vingança, essa é uma palavra mais apropriada”. Em termos simples, era uma canção muito raivosa, nascida de uma fonte de ira que era em parte muito importante da personalidade incomum de Bob. De fato, “Like a Rolling Stone” poderia ser inclusive interpretada como misógina. O alvo era claramente feminino, e várias pessoas, inclusive Joan Baez, foram sugeridas como a inspiração específica. É mais provável que a canção visasse de modo geral as pessoas que ele percebia como “impostores”. O sucesso duradouro dessa música se deve em grande parte ao sentimento solidário de vingança que ela inspira nos ouvintes. Há uma certa ironia no fato de que uma das canções mais famosas da era folk-rock – uma era associada principalmente a ideais de paz e harmonia – seja sobre a vingança.
“Like a Rolling Stone” foi gravada em Nova York durante uma pequena tempestade de verão em 16 de junho de 1965. Bob Chegou ao estúdio da Columbia com o jovem músico de blues Mike Bloomfield, que tocaria a guitarra solo na faixa. Músico prodigiosamente talentoso, Bloomfield se dava muito bem com Dylan, que nem sempre era o mais fácil dos artistas com quem se trabalhar porque ele não gostava de ensaiar e não falava sobre o que estava fazendo. “Michael sabia que tudo o que Dylan queria era chegar e começar a tocar. Queria que todo o mundo, como se por um passe de mágica, entrasse logo após e tocasse uma música que nunca haviam escutado antes”, diz o amigo dos dois Nick Gravenites. “Michael conseguia identificar imediatamente o que Bob estava tocando, qual era o estilo, qual era o acorde.” O novato Al Kooper, de 21 anos, tinha sido convidado para a sessão por Tom Wilson. Ele teve a audácia de se colocar na frente do órgão Hammond, embora não soubesse tocá-lo. Paul Griffin, que tinha sido contratado para tocar órgão na sessão, foi para o piano. Joseph Mack tocou baixo e Bobby Gregg ficou na bateria. A música começou com o som de estalido seco da caixa de Gregg e rolou por quase seis minutos, como uma corredeira. Bob celebrou a descida rio abaixo de seu tema em quatro versos virulentos que culminavam em crescendos de som e emoção na ponte. “How does you feel”, cantou com ele um júbilo crescente.
Durante o playback, Bob pediu a Tom Wilson que aumentasse o volume do órgão de Kooper na mixagem. “Aí cara, esse sujeito não é organista”, contou-lhe Wilson.
“Olha aqui, não venha me dizer agora quem é organista e quem não é”, retrucou Bob, que estava começando a se cansar de Wilson. Bob estava usando um paletó escuro e a camisa estava abotoada até o colarinho. Em posição de sentido na sala de controle enquanto os outros relaxavam, ele tinha a presença imponente de um general, e agora que era uma genuína estrela ele tinha mesmo autoridade. Bob não fazia necessariamente mau uso de seu poder no estúdio, mas esperava que as pessoas fizessem exatamente o que ele queria. Se não se sujeitassem a seus desejos, estavam fora, como Wilson logo descobriu. “É só aumentar o som do órgão”, ordenou ele.
“Like a Rolling Stone” foi lançada como single em 20 de julho. Embora fosse duas vezes mais longa do que a maioria dos singles da época, com 5 minutos e 59 segundos, o que a tornava inadequada para tocar no rádio, subiu firme nas paradas e, notavelmente, teve enorme influência sobre os outros músicos. “Eu sabia que aquele cara era o cantor mais durão que já havia ouvido”, diz Bruce Springsteen, na época um adolescente de Freehold, New Jersey. John Lennon e Paul McCartney ouviram o disco no dia em que haviam se reunido para compor canções dos Beatles. “Parecia que não acabava mais. Era simplesmente lindo”, diz McCartney. “Bob mostrou a todos nós que era possível ir um pouco mais longe.”*

*Trecho do livro Dylan – A Biografia, de Howard Sounes.