Pink Floyd – Live In Venice (15/07/1989)

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No dia 15 de julho de 1989, o Pink Floyd fez um dos shows mais controversos de sua história, na Praça de São Marcos, em Veneza, Itália. Mesmo com a forte onda de protestos contra a realização do concerto (gratuito e aberto ao público), mais de 200.000 pessoas assistiram à apresentação, que só aconteceu depois de um acordo entre os moradores da região e a produção da banda (o volume do som foi reduzido para não danificar os monumentos históricos locais).

Apesar dos esforços da equipe de David Gilmour, Nick Mason e Richard Wright, o estrago não pôde ser evitado e mais de 300 toneladas de lixo foram deixadas para trás, gerando um verdadeiro caos que resultou na demissão do vereador responsável pela Comissão Cultural de Veneza e a mobilização das forças armadas para a restauração e limpeza da cidade.

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Musicalmente falando, o show foi um grande sucesso, acompanhado por mais de 100 milhões de telespectadores em 23 países diferentes. Mas a cidade de Veneza nunca mais permitiria outro evento de tamanha magnitude em suas ruas.

Abaixo, o áudio completo desse show que podemos chamar de único na carreira do Pink Floyd.

Setlist
01 Shine on you crazy Diamond
02 Learning to fly
03 Yet another Movie
04 Round and Around
05 Sorrow
06 The Dogs of War
07 On the turning Away
08 Time
09 The great Gig in the Sky
10 Wish you were here
11 Money
12 Another Brick in the Wall
13 Comfortably Numb
14 Run like Hell

Uma breve história sobre “Arnold Layne”, o primeiro single do Pink Floyd

No dia 23 de janeiro de 1967, o Pink Floyd deu início às gravações do compacto “Arnold Layne/Candy And A Current Bun”, no estúdio Sound Techniques, em Londres. A banda levaria três dias para concluir a produção de sua grande estreia em formato single.

Segundo o baixista Roger Waters, a inspiração para a letra de “Arnold Layne” (escrita por Syd Barrett) surgiu graças a uma pessoa real, que se travestia de mulher e costumava roubar calcinhas e sutiãs pelos varais de Cambridge.

“Tanto minha mãe quanto a de Syd tinham estudantes como inquilinos, porque havia uma escola de garotas acima, na estrada, então havia constantemente grandes varais de sutiãs e calcinhas, e ‘Arnold’, ou quem quer que ele fosse, arrancou algumas peças dos nossos varais”.

– Roger Waters.

Resultado? A canção foi banida das rádios, justamente por falar de um travesti. Abaixo, o vídeo promocional do single.

Já o lado b do compacto era representado pela faixa “Candy and A Currant Bun”, umas das primeiras canções da cultura pop a incluir a palavra “fuck”. Além do título (originalmente nomeado “Let’s Roll Another One”), a gravadora exigiu mudanças nos versos, entre eles, uma linha que dizia “I’m high don’t spoil my fun”. Coisas de Syd Barrett.

Apesar de nunca ter integrado a discografia oficial do Pink Floyd, “Arnold Layne” se tornou uma das mais cultuadas canções do grupo. Talvez a maior prova disso seja o setlist da turnê solo de David Gilmour em 2006. Com o reforço de Richard Wright nos vocais, a faixa foi apresentada durante todas as noites da On an Island tour.

Ainda sobre Gilmour e a On an Island tour, eis uma versão com David Bowie nos vocais, extraída do DVD Remember That Night.

O lançamento oficial de “Arnold Layne/Candy and a Currant Bun” aconteceu em março de 1967 no Reino Unido, consagrando o Pink Floyd como uma das mais promissoras bandas da cena psicodélica britânica. O resto é história.

A primeira vez de David Gilmour na televisão como integrante do Pink Floyd

Em dezembro de 1967, depois dos primeiros sinais de turbulência causados por Syd Barett, Roger Waters, Nick Mason e Richard Wright convidam David Gilmour para assumir a guitarra do Pink Floyd. A ideia partiu de Peter Jenner, empresário do grupo, que pretendia manter Syd como vocalista e principal compositor, enquanto Gilmour se encarregava das seis cordas nas apresentações ao vivo da banda. Infelizmente, as coisas não deram tão certo para Syd Barett, que acabou demitido durante as gravações do álbum A Saucerful of Secrets.

Em fevereiro de 1968, já com a nova formação, o Pink Floyd se apresentou no programa francês Live at Bouton Rouge com as faixas “Astronomy Domine”, “Flaming”, “Set The Controls For The Heart Of The Sun” e “Let There Be More Light”.

Foi a primeira vez de David Gilmour como integrante definitivo do quarteto. Que você assiste logo abaixo.

Como o Pink Floyd participou das transmissões do pouso do homem na Lua

Em julho de 1969, o mundo parou na frente da TV para acompanhar Neil Armstrong e a equipe da Apolo 11, que lideravam o primeiro pouso do homem na Lua. Com imagens da BBC1, BBC2 e ITV, o acontecimento foi visto por mais ou menos 600 milhões de espectadores ao longo de oito dias de transmissão.

Pois bem. Após a morte de Armstrong, em 2012, uma velha canção do Pink Floyd chamada “Moonhead” voltou a ganhar destaque entre os amantes da boa música. O motivo? Ao mesmo tempo que os astronautas chegavam ao satélite vizinho, David Gilmour, Nick Mason, Roger Waters e Richard Wright faziam uma jam session no estúdio da BBC, criando uma trilha sonora direta para a aventura lunar.

Em 2009, o guitarrista David Gilmour comentou o assunto ao The Guardian.

Nós estávamos em um estúdio de TV da BBC tocando para o desembarque. Era uma transmissão ao vivo, e havia um painel de cientistas num lado do estúdio, com nós do outro. Eu tinha 23 anos.

Mesmo figurando em vários bootlegs do grupo ao longo das décadas, “Moonhead” permanece inédita na discografia oficial do Pink Floyd, sendo apresentada pela BBC ainda em 1969 junto com outras intervenções artísticas dedicadas à missão dos astronautas. Nada que nos impeça de ouvi-la logo abaixo.

Quando o Pink Floyd se tornou a primeira banda de rock ouvida no espaço

No dia 26 de novembro de 1988, a tripulação do Soyuz TM-7 foi lançada ao espaço com a versão em cassete do álbum Delicate Sound of Thunder no bolso. Foi assim, colocando a fitinha para tocar, que os astronautas da sétima expedição à estação orbital Mir fizeram do Pink Floyd a primeira banda de rock ouvida no espaço, anos antes do canadense Chris Hadfield e sua versão de “Space Oddity”. David Gilmour e Nick Mason participaram do grande momento, assistindo ao lançamento.

Integrantes da tripulação do Soyuz TM-7

Assista Delicate Sound Of Thunder logo abaixo.

00:32 Shine On You Crazy Diamond
04:03 Signs Of Life
07:19 Learning To Fly
12:11 Sorrow
20:58 Dogs Of War
28:56 On The Turning Away
36:10 One Of These Days
42:37 Time
47:46 On The Run
49:55 The Great Gig In The Sky
54:38 Wish You Were Here
59:32 Us And Them
01:07:00 Comfortably Numb
01:14:15 One Slip
01:20:08 Run Like Hell
01:27:05 Credits

A jam session de Frank Zappa com o Pink Floyd em 1969

Entre os dias 24 e 28 de outubro de 1969, a revista francesa Actuel e a gravadora BYG promoveram o The Actuel Rock Festival, um dos primeiros grandes festivais europeus que tentavam responder à altura do estadunidense Woodstock.

Por questões políticas (envolvendo quebra-quebra) na capital parisiense, o evento foi proibido pelas autoridades locais, sendo transferido para a Bélgica, próximo à fronteira com a França.

Apesar das baixas temperaturas, o festival recebeu um público de vinte mil pessoas, que puderam assistir bandas e artistas como Pink Floyd, Ten Years After, Colosseum, Aynsley Dunbar, Renaissance, Alexis Korner, Don Cherry, The Nice, Caravan, Blossom Toes, Archie Shepp, Yes, The Pretty Things, Pharoah Sanders, The Soft Machine, Captain Beefheart, Nice, Sam Apple Pie, entre outros.

Frank Zappa estava presente como road manager de seu parceiro Captain Beefheart. Além disso, Zappa também faria as honras como mestre de cerimônias, dando uma força para Pierre Lattes, famoso locutor de rádio e (na época) editor da Actuel. Infelizmente, o francês do bigodudo não ajudou muito e a segunda tarefa foi abortada. Para compensar, Lattes sugeriu que Zappa se apresentasse como guitarrista convidado, ao lado do maior número de atrações possível. O resultado foram inúmeras (e históricas) jam sessions ao longo de todo o festival. As mais famosas aconteceram com Blossom Toes, Archie Shepp. Aynsley Dunbar e o Pink Floyd.

Frank Zappa e Archie Sheep
Frank Zappa e Roger Waters
Frank Zappa e Captain Beefheart
Frank Zappa e Captain Beefheart

Frank Zappa e Roger Waters

Com Roger Waters, David Gilmour, Richard Wright e Nick Mason, Zappa tocou guitarra em “Interstellar Overdrive”, um dos números mais antigos do Pink Floyd. O concerto foi filmado por Jerome Laperrousaz, que pretendia lançá-lo com o título Music Power, mas, por questões burocráticas envolvendo algumas próprias bandas (inclusive o Pink Floyd), o projeto nunca saiu do papel.

Revistas e Zines que destacaram o The Actuel Rock Festival

Por alguma razão, Frank Zappa parece ter “esquecido” a jam session com o Pink Floyd, ou (provavelmente) talvez tenha sido orientado a não fazer comentários sobre o episódio (abaixo, um trecho da entrevista feita em 1990 para a revista Society Pages, conduizda por Den Simms, Eric Buxton e Rob Samler).

DS: Certo. Eis uma controvérsia que você pode resolver. Existem muitas pessoas que acham que você tocou, em 1969, num festival na Bélgica chamado “Amougies”…
FZ: Sim.
DS: No palco com o Pink Floyd. Falso ou verdadeiro?
FZ: Não com o Pink Floyd.
DS: É o que eu pensava. Você apresentou [Captain] Beefheart para o público…
FZ: Sim. Apresentei uma série de outros atos também. Você vê, era uma coisa muito estranha. Fui contratado para ser um mestre de cerimônias…
DS: Gotcha.
FZ: Isso foi depois que o Mothers tinha se separado e, você sabe, eu tinha tempo sobrando. Essas pessoas entraram em contato comigo. Eles me ofereceram dez mil dólares para ser o mestre de cerimônias em um festival, todas as despesas pagas, e ir até lá e, você sabe, eu disse “Tudo bem”. Quero dizer, a maioria das pessoas não falava inglês (risos), e tudo o que eu podia fazer era apontar (risos) e, além disso, o festival originalmente deveria ser na França. O governo impediu e, assim, na última hora, ele foi transferido para a fronteira com a Bélgica, em um campo de nabo, no meio do nada, em uma tenda sustentada por barras de aço. Esta barraca segurou quinze mil pessoas. Frio, clima úmido, nevoeiro constante, as mais MISERÁVEIS condições que você poderia encontrar, por três dias, e foi um festival de vinte e quatro horas por dia, e os garotos chegariam lá, e eles tinham seus sacos de dormir, e eles estavam dormindo por… que estavam naquela tenda CONGELANDO, deitados no chão, dormindo, enquanto a música continuou ininterruptamente com todos esses grupos…
DS: Bizarro
FZ: E eles estavam filmando.
DS: A verdadeira história de guerra.
RS: Então, você tocou com alguém?
DS: Yeah, para pregar de uma vez por todas, você não tocou com o Pink Floyd, certo?
FZ: Não. Acho que toquei com Aynsley Dunbar e em seguida houve uma jam session com Archie Shepp, Philly Joe Jones e alguns outros caras que tocavam jazz.

PS: Em 1992, Zappa voltaria a falar sobre o festival durante uma entrevista com Matt Groening (criador d’Os Simpsons), mas não mencionou o Pink Floyd.

Ainda nos anos 1970, Nick Mason fez a seguinte declaração:

“Frank Zappa é realmente um daqueles raros músicos que podem tocar com a gente. O pouco que ele fez em Amougies foi muitíssimo correto. Mas ele é uma exceção. Nossa música e a maneira como nos comportamos no palco fazem com que seja muito difícil improvisar com a gente.”

Em meio a tantas contradições, existem fotografias, gravações clandestinas e filmagens que comprovam: Frank Zappa realmente tocou com o Pink Floyd. E é com “Interstellar Overdrive”, gravada em 1969 no The Actuel Rock Festival, que finalizamos nossa pequena homenagem à histórica parceria Floyd-Zappa. Enjoy.

Bônus:

1. Áudio completo da apresentação do Pink Floyd no festival (Frank Zappa é apresentado aos 24:14)

Setlist
01 Astronomy Domine
02 Green Is The Colour
03 Careful With That Axe, Eugene
04 tuning up (com Frank Zappa)
05 Interstellar Overdrive (com Frank Zappa)
06 Set The Controls For The Heart Of The Sun
07 A Saucerful Of Secrets

2. Outras jam sessions de Frank Zappa e algumas das principais atrações do festival

Setlist
00:00 Aynsley Dunbar’s Retaliation:
Improvisation (7:08) Victor Brox (vocals, harmonica); John Moorshead (guitar); Alex (Erroneous) Dmochowski (bass); Aynsley Dunbar (drums)

07:08 Pink Floyd:
Interstellar Overdrive (20:25) David Gilmour (guitar); Richard Wright (organ); Roger Waters (bass); Nick Mason (drums)

27:33 Caravan:
If I Could Do It All Over Again, I’d Do It All Over You (7:55) Pye Hastings (guitar & vocals); David Sinclair (keyboards); Richard Sinclair (bass & vocals); Richard Coughlan (drums)

35:28 Blossom Toes:
Improvisation (26:10) Brian Godding (guitar, vocals & keyboards); Jim Cregan (guitar & vocals); Brian Belshaw (bass & vocals); Kevin Westlake (drums)

1:01:38 Sam Apple Pie:
Moonlight Man (6:04) Sam Sampson (vocals & harmonica); Danny Barnes (lead guitar); Andy Johnson (slide guitar); Bob Renny (bass & vocals); Lee Baxter Hayes Jr (drums)

Pink Floyd e a primeira vez de “Atom Heart Mother”, no Bath Festival of Blues and Progressive Music

No dia 27 de julho de 1970, teve início o Bath Festival of Blues and Progressive Music em Shepton Mallet, Inglaterra. Foram dois dias de shows com Santana, The Flock, Led Zeppelin (o headliner do evento), Hot Tuna, Country Joe McDonald, Colosseum, Jefferson Airplane (cancelado), The Byrds (em formato acústico), Dr. John, Frank Zappa & the Mothers of Invention, Canned Heat, It’s a Beautiful Day, Steppenwolf, Johnny Winter, John Mayall e Peter Green, Pink Floyd, Pentangle, Fairport Convention e Keef Hartley.

Mas é a histórica apresentação do Pink Floyd que merece destaque.

Foi no primeiro dia de festival que David Gilmour, Roger Waters, Richard Wright e Nick Mason estrearam a faixa que daria nome ao seu próximo álbum de estúdio: Atom Heart Mother – que, na ocasião, ainda tinha três nomes provisórios: “Epic”, “The Amazing Pudding” e “Theme From an Imaginary Western” (por alguma razão, foi introduzida ao público como “The Amazing Pudding”).

Não seria a última vez que o quarteto levaria a futura “Atom Heart Mother” para o palco acompanhados de orquestra de metais e coral. Mas como se trata da primeiríssima performance, merece mais do que nossa atenção.

A qualidade dos vídeos não é das melhores, é verdade. Mas nem por isso deixa de ser um verdadeiro tesouro para os fãs de Pink Floyd.

A versão de estúdio da peça seria lançada em outubro do mesmo ano, dividida em seis partes (“Father’s Shout”, “Breast Milky”, “Mother Fore”, “Funky Dung”, “Mind Your Throats, Please” e “Remergence”), com suporte da Abbey Road Session Pops Orchestra.

O nome definitivo surgiu minutos antes do início de uma apresentação no programa de John Peel, na BBC, graças a uma manchete de jornal que destacava o caso de uma mulher grávida que sobrevivia às custas de um marca passo atômico. O resto é história.

(áudio completo do show em questão)

Setlist
1. Green is the colour (3:27)
2. Careful with that axe, Eugene (9:51)
3. A saucerful of secrets (18:27)
4. Set the controls for the heart of the sun (13:33)
5. The amazing pudding (25:02)