R.I.P. Bob Marley (06/02/1945 – 11/05/1981)

Bob Marley completaria 70 anos de idade nesta sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015. E para homenagear uma das vozes definitivas não só do Reggae mas da música em geral, reunimos alguns amigos da blogosfera para escolherem suas canções favoritas de Bob. Aumente o volume e boa leitura.

Lucas Couto – She’s Gone

“Uma das melhores músicas já compostas no mundo, apesar da simplicidade de uma maneira geral. É muito groovada, e a linha de baixo é um absurdo. A letra é linda, e o Bob canta pra caralho. É isso”.

Raul Ramone – No Woman, No Cry

Depois do fracasso da turnê europeia de 1974, Bob Marley & The Wailers deram uma polida no som do grupo, para tentar atrair o público do velho mundo, que ainda não apreciava o Reggae de raiz. A estratégia deu certo e rendeu o álbum Live!, gravado em julho de 1975 no Lyceum Theatre, em Londres.

Apesar da diferença gritante da versão de estúdio, lançada um ano antes no LP Natty Dread, o single de maior destaque do novo disco ao vivo foi “No Woman, No Cry”, que ainda representa uma das melhores performances de Bob Marley e os novos integrantes do Wailers, em especial o trio vocal I-Threes, formado por Judy Mowatt, Marcia Griffiths e Rita Marley, esposa de Bob.

Curiosidade: a composição de “No Woman, No Cry” é creditada a Vincent Ford, um amigo que ajudou Bob nos árduos tempos de pobreza. Com os royalties do single, Vincent pôde dar continuidade à sua casa de caridade em Kingston, Jamaica.

Julio Cesar Magalhaes – 400 Years (www.theorangedisaster.com)

“Antes de serem Bob Marley e os WTF, os Wailers foram uma grande BANDA, não só a pedra fundamental do reggae mas também uma revolução no modo como a música pop poderia soar. De Brian Eno aos Black Crowes, você tem uma ideia da abrangência do alcance do conceito que eles cristalizaram. E num mundo com o ‘street credit’ mais difícil que alugar casa sem fiador, eles nunca tiveram o menor problema em se colocarem como o artigo original da malocagem de má atitude que sempre foram. São Marley, em sua encarnação posterior também é gente boa, mas o ouro está logo na lateral do arco-íris, sempre…”

Débora Cassolatto – Redemption Song (www.ouvindoantesdemorrer.tumblr.com)

“Nunca fui grande fã de Bob Marley, até ‘Redemption Song’ aparecer no livro das 1001 músicas e eu conhecer um pouco melhor a história do som. Essa é a última faixa do último álbum de estúdio a ser lançado com Bob ainda vivo. Nessa época, seu câncer – que lhe foi fatal – já tinha sido diagnosticado, e essa foi a sua forma de tentar lidar com a morte, já afundado na dor e tristeza de quem sabia que estava para partir. Depois disso nunca mais consegui ouvir essa música sem um aperto no coração”.

Raul Ramone – Get Up, Stand Up

O Reggae favorito de Mick Jagger, com arranjos inspirados em “Slippin’ Into Darkness”, um dos maiores clássicos de outro grande grupo, War. O tom politizado de “Get Up, Stand Up” não é à toa. A letra da canção faz referência à dificuldade que os seguidores da religião rastafari tinham em ser aceitos e respeitados na Jamaica. Peter Tosh e Bunny Wailer participaram tanto da gravação quanto do processo de composição (assinada por Marley/Tosh), lançada em 1973 no álbum Burnin’. Um ano depois, a formação original do The Wailers seria dissolvida, com Bob Marley como seu único remanescente (mantendo o nome Bob Marley & The Wailers).

Fernando Augusto Lopes – Time Will Tell (www.botequimdeideias.com.br/flogase)

“A música está no décimo disco do Bob Marley, Kaya, que sucedia um dos seus maiores sucessos comerciais e de crítica, Exodus. Daí, ele canta: ‘think you’re in heaven, but ya living in hell’. Ele não fala do sucesso dele, claro. Fala dos ‘opressores’, os ‘carecas’: ‘Jah would never give the power to a baldhead run come crucify the Dread’. O tempo irá dizer, o tempo irá dizer, como num mantra, você acha que vive no Céu, mas vive no inferno, fique de olhos abertos, os oprimidos um dia se levantam… A leveza com o que ele dá o alerta, a forma até direta e crua, mas sem ser ameaçadora faz da música meio que um lema pra mim, um direcionamento de vida ao enfrentamento”.

N. do E.: Já que mencionaram o Black Crowes em um dos depoimentos anteriores, aproveite para ouvir a versão da banda para “Time Will Tell”.

Anderson Oliveira – Soul Rebel (www.passagemdesom.com.br)

“Escolher uma faixa de Bob Marley que defina sua importância na minha vida não é fácil, principalmente porque sempre acreditei em duas versões do Rei do Reggae: uma engajada e feroz, disposta a mudar o mundo o quanto antes, e outra que soube sintetizar da forma mais simples o maior dos sentimentos, o amor, mas poucas faixas me impressionaram tanto como ‘Soul Rebel’, lançada em 1974. Além de contar com Lee ‘Scratch’ Perry na produção e ser o primeiro lançado fora da Jamaica, o disco me chamou a atenção por causa da capa, com uma criança segurando uma metralhadora. Na época em que encontrei esse disco obviamente já conhecia os hits, mas quando apertei o play e essa faixa tocou, me impressionou a força de uma música com arranjos tão simples e uma letra tão intensa. ‘I’m a rebel, let them talk, Soul rebel, talk won’t bother me’ tem a força de um furacão e até hoje levo ela como um mantra”.

Igor Bessa – Positive Vibration (Twitter.com/_lgor)

“Mais conhecida no Brasil pela versão de Gilberto Gil, gravada em seu tributo a Bob Marley, Kaya N’Gan Daya. Assim como ‘No Woman, No Cry’, ‘Positive Vibration’ também é creditada a Vicent Ford (mas atualmente sob controle do espólio de Bob).

Logo após o famoso Live!, Bob Marley lançou o disco Rastaman Vibration, repassando os créditos das letras para vários amigos, músicos da banda e sua esposa, já buscando evitar brigas judiciais, como a que estava ocorrendo com sua antiga publisher.

‘Positive Vibration’ é uma canção simples, de duração relativamente curta (3:30), mas com uma letra que acabou se tornando um hino para muitas pessoas, ao incentivar a busca pelo lado bom da vida.

O primeiro verso já começa pedindo que você viva, caso queira viver, entre outros famosos trechos deram origem ao nome do disco (‘Rastaman vibration, yeah! Positive!’). Apesar de não ser uma das melhores músicas de sua carreira, penso no que Marley disse sobre esse álbum, para que nos preocupássemos mais com sua letra que com a música. Esse LP me traz uma tranquilidade incrível, e começa logo com ‘Positive Vibration’.

Sei que é difícil manter sempre a vibração positiva pedida por Marley, mas, ao passar dos anos, passo a entendê-lo melhor e tento buscar esse lado positivo.”

Para finalizar o post, uma playlist com todas as músicas citadas.

Rip! A Remix Manifesto

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1) A cultura sempre se constrói baseada no passado
2) O passado sempre tenta controlar o futuro
3) O futuro está se tornando menos livre
4) Para construir sociedades livres é preciso limitar o controle sobre o passado

Entre os entrevistados do filme, Girl Talk, Lawrence Lessig, Cory Doctorow e Gilberto Gil (na época, Ministro da Cultura) falam sobre as questões do direitos autorais, propriedade intelectual e compartilhamento de informação nos dias de hoje.