Três discos da Tedeschi Trucks Band

Hoje ouviremos os dois álbuns de estúdio da Derek Trucks & Susan Tedeschi Band (The Tedeschi Trucks Band) mais o ao vivo Everybody’s Talkin’, lançado em 2012.

E para quem não conhece o trabalho de Derek Trucks junto à The Allman Brothers Band, ouça os discos Peakin’ at the Beacon (2000), Hittin’ the Note (2003), Live at the Beacon Theatre (2003) e One Way Out (2004). Vale mencionar a discografia da Derek Trucks Band, que lançou excelentes álbuns entre 1997 e 2010.

Vamos ao que interessa. Três discos da Tedeshi Trucks Band.

Gov’t Mule @ Cotton Club, Atlanta, EUA (15/09/1995)

Na noite do dia 15 setembro de 1995, o Gov’t Mule se apresentou no Cotton Club, Atlanta, EUA, com sua formação original (Warren Haynes, Allen Woody, Matt Abts).

Na época, Haynes e Woody ainda conciliavam seu tempo entre a Allman Brothers Band e o Gov’t (até 1997, quando ambos deixam a ABB para se dedicar exclusivamente ao GM).

O show traz um retrato fiel da capacidade que o trio tinha em mesclar clássicos do blues e do rock entre composições próprias. Uma verdadeira aula de como se fazer uma jam session.

Observação fundmental: A banda continua na ativa, é verdade, ainda com Warren Haynes e Matt Abts (Allen Woody faleceu em agosto de 2000), mas hoje a história é outra, muito mais centrada na liderança de Haynes.

Vamos ao show.

Setlist

1. Introdução
2. Mule
3. Rocking Horse
4. Mr. Big
5. Temporary Saint
6. Trane
7. Third Stone Jam
8. St. Stephen Jam
9. Eternity’s Breath
10. Pygmy Twylyte
11. Blind Man in the Dark
12. Grinnin’ in Your Face
13. Mother Earth
14. Left Coast Groovies
15. World of Difference
16. Don’t Step on the Grass, Sam
17. Painted Silver Light
18. Monkey Hill
19. She’s So Heavy Jam
20. The Same Thing
21. Just Got Paid
22. The End of the Line
23. Look On Yonder Wall

O impacto da Allman Brothers Band no Fillmore East, em Nova Iorque

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Alan Arkush: A gente não sabia nada dos Allman Brothers. Só que iam abrir pro Blood, Sweet and Tears no fim de dezembro de 1969. Ninguém tinha ouvido falar deles. O álbum ainda não tinha sido lançado. Mas a capa do disco já estava no lobby do Fillmore East. Era uma foto de uns caras de pé, pelados num riacho, e a gente pensava: “Que bando de caipiras malucos”. O típico cinismo nova-iorquino. E, para piorar, eles se atrasaram para a passagem de som. Um pecado mortal. A gente esperou e esperou. Ninguém sabia que eles estavam vindo da Georgia pela estrada. Aí uma van parou e eles saíram carregando amplificadores. Devia ser a primeira vez deles em Nova Iorque. Uns caipiras com uns amplificadores Marshall todos ferrados, horroroso. A gente pensava: “Esses caras vão ser uma coisa de louco. Tomara que eles não fiquem pelados”. John Noonam perguntou: “Vocês vão ficar de roupa no show de hoje?”.
Eles começaram a tocar “You Don’t Love Me” e “One Way Out” na passagem de som e as pessoas saíram dos escritórios. Todo mundo parou de trabalhar e ficou lá, de pé, falando: “Uau. Esses caras são mesmo de verdade”. Eles tocaram quatro sets de quarenta e cinco minutos naquele fim de semana, e a gente sempre queria mais. Achamos eles fabulosos.

Alan Arkush: A vez seguinte em que eles apareceram no Fillmore East foi em setembro. Tocaram com Van Morrison e os Byrds para um show de TV que a WNET fez para a PBS. A essa altura, Idlewild South já tinha sido lançado. E aí voltaram mais uma vez em março de 1971 para gravar o álbum ao vivo. (…) Lembro que eu fui para o camarim e havia grandes jarras de vinho e um envelope cheio de tabletes de mescalina, presente deles, e um bilhete que dizia: “Aqui está, vamos ter uma boa noite”. É o álbum Live at Fillmore East, que tem “Eat a Peach”. Foram tão bons que fizeram o primeiro show como se fosse o último show de sexta. Johnny Winter inverteu a ordem. Disse que precisava pegar um avião. Mas, na verdade, ele não ia conseguir superar os caras.
Os shows de sábado, tanto no primeiro quanto no segundo, talvez tenham sido os melhores shows dos Allman Brothers que eu vi. E também uma das melhores apresentações ao vivo que já vi na vida.

Bill Graham: A banda já tinha se apresentado para mim como banda de abertura nos Fillmores. Na época em que ainda eram Hourglass. Quando o Dead e os Allman Brothers tocaram juntos no Fillmore East, foi o fino do rock. Lembro que os Allman Brothers entraram no palco à uma e meia ou duas da manhã para tocar o segundo set. Acabaram lá pelas quatro da manhã e a plateia foi ótima. Eles tocaram o bis, Duane e Gregg saíram do palco e falaram: “Nossa, Bill, a gente sempre se atrasa”.
E eu: “Se quiserem tocar, podem tocar”.
Eles voltaram para o palco. Eu falei para Michael Ahearn: “Coloque as luzes bem suaves, ligue o globo de espelhos devagar. As luzes do palco devem ficar no nível do chão, sem alteração”. Eles fizeram isso e apareceram estrelinhas de luz em todo canto quando a banda começou a tocar. Cada música tinha uns quarenta minutos de duração. Eu estava sentado cochilando nos bastidores e o show não parava, ninguém ia embora. Dickey Betts, Duanne e Gregg fizeram grandes riffs e não pararam de tocar.
Eles terminaram o show e a plateia aplaudiu efusivamente. Como se tivessem acabado de fazer uma excelente refeição. Alguém abriu a porta lateral da casa e a luz do dia começou a entrar.

Allan Arkush: Tinha nevado e o chão estava coberto. Ficamos lá tanto tempo que dava pra ver os feixes de luz entrando pelas portas abertas, por causa da fumaça que enchia o lugar.

Bill Graham: Eu olhei para o relógio e eram sete e cinco. Duane virou, olhou para mim e disse: “Ei, Bill… É como sair da igreja, não é?”.

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– Trecho do livro Bill Graham Apresenta: Minha Vida Dentro e Fora do Rock, de Bill Graham e Robert Greenfield.